Fiagril quer digitalizar 1 milhão de hectares até o fim do ano.

Fiagril quer digitalizar 1 milhão de hectares até o fim do ano. O projeto começou em agosto de 2020 e, até agora, metade dessa meta já foi cumprida

Agrônomos se unem a produtores para encontrar as melhores soluções para problemas no campo (Fiagril/Divulgação)


A digitalização do campo tem vasto espaço para ser explorada no Brasil: estimativas do BNDES afirmam que a utilização de Internet of Things (IoT) no agronegócio brasileiro deve movimentar US$ 21 bilhões até 2025. Até atingir esse objetivo, há “muito chão” pela frente, mas movimentos iniciais de digitalização ganham cada vez mais espaço no país. Um exemplo recente é o da Fiagril, empresa de distribuição de fertilizantes, defensivos agricolas e sementes, que investiu R$ 600 mil para coletar dados de produtores e facilitar a gestão da área de plantio por meio de um aplicativo, o Confia Tech.


A empresa não está sozinha na ambição de trazer mais produtividade ao campo por meio da tecnologia. A Agrosmart, startup do setor, coleta e analisa dados para irrigar plantações; e a Agrosolutions tem um sistema para gerenciamento de propriedades rurais, similar ao implantado pela Fiagril em seus clientes. Ambas ganharam espaço na EXAME recentemente (veja aqui).


Fato é que, com o sucesso do agronegócio no país -- o PIB do setor aumentou 24,31% em 2020, de acordo com estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) -- o interesse pela digitalização do setor cresce conforme empreendedores cada vez mais jovens direcionam seu olhar para o campo.


As mudanças também fazem parte do processo de reestruturação pela qual a companhia passa, desde 2018. Na época, o faturamento da companhia foi de R$ 52 milhões, resultado bastante satisfatório em relação ao ano anterior, quando teve prejuízo de R$ 10 milhões. Os cortes de custos foram uma prioridade e a companhia enxugou cerca de R$ 25 milhões para atingir o resultado. Em 2019, o crescimento de faturamento foi de 25% sobre o valor atingido no ano anterior. Em 2021, a empresa estima crescer 37% sobre esse resultado.


Para essa veterana do agronegócio -- há 33 anos no mercado brasileiro --, a pandemia impulsionou a necessidade por inovação. O software implantado pela empresa, além de trazer mais informações para o dia a dia dos produtores, também funciona como base de dados para a empresa, que pode fazer a oferta dos produtos certos para cada produtor, por meio de estratégias conjuntas entre os engenheiros agrônomos da companhia e os os fazendeiros.


“Nossa meta é registrar um milhão de hectares até o final de 2021. O projeto está em operação desde agosto do ano passado e, de lá para cá, metade desse objetivo já foi atingido. Além de ser algo útil aos produtores, também contribui para nos trazer segurança financeira na hora de financiá-los ou de comprar grãos plantados por esses fazendeiros”, diz Dinamari Sandri, Gerente de Planejamento e Execução da Fiagril, à EXAME.

O app funciona da seguinte forma: a partir do monitoramento do campo -- que é feito pelos 60 consultores da Fiagril em suas visitas aos produtores, utilizando apenas o celular -- é possível obter relatórios de saúde da lavoura em tempo real "na palma da mão".


Além dos dados, imagens NVDI (padrão que analisa a condição da vegetação usando sensores remotos), permitem visualizar áreas de calor, em que a cor vermelha pode indicar que algo está errado e, a verde, que está tudo certo com aquela área.

Com acesso às informações inseridas na ferramenta, os engenheiros agrônomos responsáveis por fazer a ponte entre a distribuidora de fertilizantes e os fazendeiros podem planejar ações e fornecer serviços adequados às necessidades de cada produtor.


De acordo com a companhia, toda a segurança para garantir os dados dos produtores é garantida e, ao longo do tempo, deve permitir visualizar um histórico completo das ações tomadas na propriedade para identificar sazonalidades.

Para a empresa, a solução tem potencial representa apenas o pontapé inicial de digitalização junto aos clientes. “Temos mais de três décadas de atuação no mercado brasileiro e estamos comprometidos a trazer cada vez mais tecnologia para o campo. Esse é só o começo do nível de digitalização que queremos atingir”, afirma Dinamari.


Fonte: Exame.

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