Drones para pulverização são a bola da vez no Agro

Empresários e representante do MAPA apontam vantagens do uso de drones para aplicações agrícolas e aguardam uma regulamentação mais clara para o setor


O uso de drones para pulverização é a nova fronteira no mercado das aeronaves não tripuladas no Brasil. É o que garantem especialistas e profissionais do setor que se reuniram em uma transmissão ao vivo organizada pela DroneShow Latin America e pela MundoGEO (assista o replay na íntegra aqui).


Para o fundador e diretor da SC Agro, Eugênio Schroder, o uso de drones para aplicação agrícola apresenta diversas vantagens em relação aos métodos hoje mais utilizados, como aviões, tratores ou costais. “O drone é o equipamento mais democrático que existe. É o único equipamento de aplicação que é possível usar em pequena, média ou grande lavoura, de qualquer cultura. Não há outro equipamento que faz isso”, diz.


O fundador da ALSV Agro, André Veiga, compartilha do mesmo entusiasmo. E se apoia no aumento na quantidade de empresas que prestam serviços de pulverização com drones. Segundo ele, eram quatro em 2019, número que saltou para aproximadamente 100 em 2021.


“A qualidade de aplicação é inigualável. É melhor que trator, costal, que avião. Em todas as aplicações que fizemos até hoje, os produtores e empresas ficaram deslumbrados com os resultados”, opina Veiga.


Schroder reforça que a operação dos drones é mais segura na comparação com outros métodos. “Os drones são o sonho de consumo de todos os profissionais, engenheiros, e técnicos de segurança e saúde do trabalho rural. É o único equipamento que não tem ninguém dentro do talhão”, prossegue.


O tamanho desse mercado no Brasil ainda é incerto, mas está longe do que é visto em outros países, como a China. “Estima-se que na China existam mais de 200 mil drones operando na pulverização. No Brasil as projeções são de mais de mil drones em operação”, ressalta o fundador e CEO da MundoGEO e idealizador da DroneShow Latin America, Emerson Granemann.


Regulamentação começa a avançar


O mercado de drones e prestadores de serviços voltado para a pulverização ainda necessita de uma regulamentação mais clara e é isso que vai garantir um crescimento ainda maior do segmento. “O que temos de mais importante para a evolução deste mercado é agilizar ao máximo possível a regulamentação para que existam parâmetros para não entrarem empresas não idôneas ou que tenham pouco cuidado com esse tipo de aplicação”, pede Veiga.


O engenheiro agrônomo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Lucas de Souza, garante que em breve o setor terá novidades. É que uma instrução normativa que trata dos padrões técnicos operacionais e de segurança já foi encaminhada para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e para o Ibama para verificação. Assim que retornar ao Mapa, devem ser realizados alguns ajustes pelo setor jurídico, para então ser publicada.


“Infelizmente não temos a data ainda, mas estamos aguardando o retorno do Anac e do Ibama até o fim de maio. Esperamos que até o fim do ano a instrução normativa seja publicada”, projeta Souza. Entretanto, ele adianta que a instrução normativa deve incluir todas as classes de drones, não apenas a Classe 3, com peso máximo de decolagem de 25 quilos.


Ao mesmo tempo, há uma expectativa de que a Anac comece a certificar drones Classe 2. Hoje, nenhum drone dessa classe está autorizado a voar no Brasil. O cofundador da AL Drones, Lucas Florêncio, acredita que as aeronaves de pulverização serão responsáveis por encaminhar essa questão, em virtude das características de utilização.


“Aeronaves maiores têm ganhos expressivos de produtividade. Do ponto de vista regulatório, os drones para aplicação agrícola são a bola da vez. E isso está previsto na agenda regulatória da Anac, visando a atualização da regulamentação atual”, esclarece Florêncio.


Fonte: MundoGeo

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