Iniciativa liderada pela Farsul quer tornar Estado hub referência de Agtechs


Donário diz que expectativa é realizar segunda edição do HackatAgro este ano


O Rio Grande do Sul é uma referência nacional quando se trata de agronegócios, mas perdeu posições em algumas culturas nos últimos anos e a expectativa é que a tecnologia possa colocar o Estado novamente na dianteira. Para isso, uma iniciativa liderada pela Farsul, mas que já envolve diversos produtores, ambientes de inovação e entidades ligadas ao setor, pretende tornar o Estado o maior hub de Agtechs (startups de agronegócios) do País.


“Podemos chegar a isso, e não porque somos gaúchos, mas porque temos grandes universidades e o pioneirismo em diversas cadeias produtivas do agronegócio, como soja, frango, pecuária de corte e tabaco, o que nos possibilita testar soluções de forma ampla”, comenta Donário Lopes de Almeida, que lidera a Comissão de Inovação da Farsul.

Aliás, o produtor e gestor é um entusiasta deste tema. Fez um curso na Singularity University, em São Francisco (EUA), uma referência na criação de uma visão disruptiva para os negócios. Nos últimos três anos, esteve no Vale do Silício, na China e em Israel, ambientes de inovação de grande importância no cenário global. Também visitou universidades brasileiras para construir uma visão de quais podem ser os caminhos do agronegócio. “Começamos a perder relevância ao longo das últimas duas décadas. Já fomos o maior produtor de carne, soja e milho, mas deixamos de ser protagonista. A minha preocupação era que isso continuasse se a gente não apostasse de fato no uso de tecnologia”, comenta.


Donário comenta que, como entidade, a Farsul quer poder apoiar os produtores, e por isso colocou na sua pauta de forma mais consistente temas como novas tecnologias, startups e disrupção dos modelos de negócios. O símbolo disso foi a criação do portal HackatAgro.com, uma iniciativa da Comissão de Inovação da Farsul em prol da digitalização do agro gaúcho, reunindo produtores, startups, investidores, empresas e entidades. “Queremos levar digitalização para que agro gaúcho seja mais eficiente, mais produtivo, mais sustentável e gere mais renda”, aponta.


A expectativa é criar uma rede colaborativa, que identifique os problemas dos produtores e os conectam a startups, mentores, pesquisadores e investidores. “Temos a ambição de colocar no ar um projeto que realmente ajude a criar um ambiente de inovação e desenvolvimento tecnológico do setor. O agro sempre foi competitivo, mas agora com essas soluções temos como ampliar a produtividade se conectarmos as empresas e produtores às startups”, projeta Donário.


O HackatAgro.com reúne uma série de iniciativas, como webinars, vídeo e podcasts, e, claro, o Hackathon do Agro, maratona tecnológica voltada para o agro gaúcho. A primeira edição aconteceu em 2019, no Tecnopuc, e reuniu 13 startups. Na ocasião, foram premiadas soluções inovadoras das empresas BioIn, Avelã e Elysios. O próximo está programado para acontecer em dezembro de 2020. “Temos no RS muitas universidades que nos garantem capital intelectual de muita qualidade e startups diferenciadas. Com essas iniciativas, queremos sensibilizar a juventude a resolver problemas do setor rural”, aponta.


FONTE: PATRICIA KNEBEL, JORNAL DO COMÉRCIO, JULHO 2020

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