Jovens do Agro viram empreendedores de Startups

NOVA GERAÇÃO DO AGRONEGÓCIO CRIA STARTUPS PARA ALIAR O CAMPO À TECNOLOGIA


Os filhos de produtores rurais que saem do campo para estudar e depois voltam para as fazendas, trazendo tecnologias e ferramentas de gestão, não se destacam apenas ao assumir o comando das propriedades da família. Esses jovens também estão criando startups voltadas ao agronegócio, que oferecem soluções para problemas que eles conhecem de perto.


Elias desenvolveu sistema de limpeza para ordenha


“Quando comecei a faculdade, a ideia era não voltar para o campo”, relembra o filho de ex-criadores de gado de leite e produtores de grãos Elias Sgarbossa, de 28 anos, de Ibiraiaras (RS). “Meus próprios pais diziam que a atividade rural era muito sacrificante, sem períodos de descanso e que dava pouco lucro. O futuro, na época, parecia estar na cidade. Mas, aí, tudo mudou.”


Ele conta que, já no começo da graduação, percebeu que poderia aplicar o conhecimento técnico que estava recebendo na atividade rural. Poderia voltar para a propriedade dos pais e ajudá-los a rever métodos de trabalho, aumentar a produtividade, a automação e a lucratividade e ainda vender soluções para outros produtores da região.


A família tinha muito trabalho com o processo de limpeza dos equipamentos de ordenha, que tinha de ser feito duas vezes por dia. O processo levava em torno de 30 minutos e precisava atender a diferentes parâmetros, como a temperatura da água e quantidade de detergente usado. O processo demandava que alguém da família estivesse o tempo todo ali, acompanhando.


O engenheiro desenvolveu uma forma de resolver um problema antigo que os pais tinham na propriedade da família e criou um sistema que automatiza a limpeza das ordenhadeiras. “Era preciso ter uma limpeza eficiente para que a qualidade não caísse, e evitar uma queda no preço cobrado pelo leite. Na faculdade, desenvolvi o sistema para automatizar o processo de limpeza.” Há cinco anos, ele protocolou o pedido de patente do protótipo. Ele, então, criou a startup Z2S Sistemas, com ajuda de um professor e de um colega da faculdade, para levar a tecnologia a outros produtores da região.


“Era um problema crônico de vários pequenos e médios produtores. Já existiam soluções para isso, mas que não eram totalmente automatizadas. Em algum momento, o produtor precisava estar lá durante o procedimento para acompanhar a limpeza dos equipamentos. No nosso sistema, ele não precisava fazer mais nada. Ele manda iniciar a limpeza, que é feita automaticamente.


"O equipamento resolvia um problema crônico dos produtores. Já existiam soluções para isso, mas que não eram totalmente automatizadas.”


O sistema é composto de válvulas que liberam água quente e fria para um tanque de mistura, até atingir uma temperatura determinada. Bombas dosadoras sugam o produto químico de limpeza e o misturam com a água. Em seguida, uma bomba de sucção faz o processo de recirculação - ela suga a água do tanque, passando por toda a área em que o leite circulou e depois retorna para o tanque.


A propriedade da família serviu de teste para o equipamento. A contagem bacteriana total (CBT) do leite, que é um dos indicadores da qualidade do leite, baixou de 40 mil para 2 mil. Com esse resultado, ele passou a receber R$ 0,06 a mais por litro de leite. O processo completo passou a ser feito em 20 minutos.


“Na época, meu pai não tinha afinidade com smartphones. Eu tinha de criar um equipamento que fosse simples o bastante para que ele terminasse de fazer a ordenha, tocasse em uma tela e o processo se iniciasse”, lembra Elias, que diz que a empresa está em processo de captar investimentos. Desde que a empresa começou, três equipamentos foram instalados. “Estamos negociando com um investidor que vai trabalhar tanto na promoção das máquinas quanto na formatação da empresa.”


Fonte: Texto adaptado de Estadão


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