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Especialistas do agro destacam: sem novas tecnologias não haverá agricultura no futuro

Atualizado: Abr 21



Especialistas do setor do agronegócio no Brasil destaca que não haverá agricultura no futuro sem novas tecnologias como blockchain


O grande potencial do Brasil com sua variedade de biomas e de desenvolvimento de biotecnologia foram destaque da programação do Digital Series Agronegócio, que discutiu soluções para abastecer a população mundial nas próximas décadas com segurança dos alimentos, além do aumento da produtividade no campo.

O evento gratuito e virtual, que reuniu especialistas do mercado, representantes do Governo e instituições ligadas ao agronegócio, teve como tema de abertura “Agro High Tech - Como criar uma cultura de inovação e adoção de tecnologias no campo?”.


Durante os paineis, emboras as opiniões tenham sido divergentes em alguns temas a conclusão dos especialistas foi de que o agronegócio não vai viver sem a adoção de novas tecnologias como blockchain e inteligência artificial, o Agro 4.0.

As startups do setor, hoje definidas como Agtechs, são apontadas como as protagonistas da transformação digital do campo, a começar pelos participantes do debate, referências em inovação do agronegócio – Mariana Vasconcelos, fundadora da Agrosmart, e José Augusto Tomé, CEO da AgTech Garage, mediados por Gustavo Brigatto, jornalista e fundador do portal Startups.com.br.

A primeira questão aborda se o agronegócio no Brasil está ou não engajado em tecnologia inovadora.


Para Tomé, “o nível de inovação nas soluções que as startups estão apresentando tem uma força brutal e o valor a ser gerado com novas tecnologias é imenso”. Mariana ratifica a opinião com afirmação de que o agro sempre foi tecnológico.

“Para ser a potência que somos, o Brasil, precisamos ser tecnológicos e a pandemia foi catalisadora para realmente acelerar a consciência e adoção de tecnologia para melhorar operação e produtividade”, declara Mariana, ao afirmar que o País é hoje a maior promessa global do agronegócio.


Tecnologia

A mudança do comportamento dos produtores rurais e dos trabalhadores do campo também foi tema do painel.

A conectividade e o uso de aplicativos de comunicação e troca de informações foi um dos motivos apontados como transformadores para o engajamento no setor. Hoje já são usados por inúmeras propriedades rurais softwares de ponta para gestão por assinatura (software as a service), como comentou Tomé. E é consenso que a evolução para o Agro 4.0 vem com as startups. O diretor do Futurecom, Hermano Pinto, abriu o segundo painel do Futurecom Digital Series em uma conversa enriquecedora com Alysson Paolinelli, atual presidente da Abramilho, ex-ministro da Agricultura e indicado ao Nobel da Paz 2020.


Para Paolinelli, não se pode desprezar a ideia de que “a ciência e a tecnologia sempre foram fundamentais para usarmos os recursos naturais sem prejudicá-los e devolvê-los à natureza de forma que possam ser aproveitados pelas gerações futuras”.

Depois de situar o agronegócio do Brasil historicamente, o painelista ressalta a valorização do cerrado como a maior área do mundo para produção de alimentos que serão necessários nas próximas décadas, como se prevê até 2050. “O Brasil é capaz, pois temos a maior reserva biotecnológica do mundo”, conclui Paolinelli.


Conectividade

O produtor brasileiro é muito conectado e utiliza uma série de plataformas digitais para fechar seus negócios, especialmente via WhatsApp. Quem afirma é a gerente executiva de TI da Cocamar, Paula Rebelo, que participou do painel “Agropecuária Digital: Extraindo o potencial máximo de produção através da automação e inteligência de dados”, ao lado do Prof. Antonio Alberti, do INATEL; Edson Vendruscolo, CEO e fundador do Grupo Velho Tata; Paulo Bernardocki, diretor de Produtos e Tecnologia da Ericsson, e Thierry Soret, CFO da Usina Coruripe, sob a mediação de Marco Canongia, sócio-diretor do Lumicom. Para Thierry, a agenda digital deve ser uma prioridade dos CFOs, que precisam buscar soluções para ampliar a conectividade no campo, principalmente em áreas remotas. Este cenário permitirá acesso ao conhecimento, contribuindo para a formação de profissionais que entendam e promovam a transformação digital.


Outro ponto defendido pelo executivo da Usina Coruripe é a necessidade de oferecer linhas especiais de financiamento para que os pequenos e médios produtores possam investir em novas tecnologias.

“Como disse Alysson Paolinelli, temos uma herança de inovação, porém somos deficientes até hoje em infraestrutura rodoviária, ferroviária e nos portos. Colocar agora toda essa tecnologia é um grande desafio, pois precisamos avançar em conectividade”, destaca Vendruscolo.

De acordo com o executivo da Ericsson, é fundamental preparar a força de trabalho para lidar com essa transformação digital.

“As pessoas querem inovar, mas nem sempre estão prontas. Precisamos oferecer condições para que elas se qualifiquem e possar atuar neste novo cenário. A conectividade não resolve todos os problemas, mas é um primeiro passo para habilitar todo o ecossistema.”

O Prof. Antônio Alberti, do INATEL, acredita que a cobertura é um dos principais problemas da conectividade. “Muitas pessoas em áreas remotas têm recursos para investir em conexão e contratar determinado tipo de serviço para a fazenda, mas não conseguem por falta de cobertura”, ressalta. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 70% das propriedades rurais em solo nacional ainda não possuem internet. “O INATEL tem defendido a importância de se trabalhar com foco em conectividade em áreas remotas, com a integração de tecnologias disponíveis.”


Automação e inteligência de dados

Para o CEO da Terra Santa Agro, José Humberto Teodoro, a comunicação máquina-máquina, em tempo real, produzirá um volume elevado de dados, que poderão se transformar em insights para a definição de estratégias de negócios.

Por isso, a importância de as empresas do agro desenvolverem uma cultura Data Science. Quando máquinas e sensores estão conectados em tempo real, é possível realizar a coleta de informações, conferindo ao gestor a capacidade de interferir imediatamente.

“Os produtores lidam com dados e processos muito complexos, que seriam humanamente impossíveis de serem analisados sem a automação. Temos um longo caminho a percorrer para melhorar e agilizar os processos, mas certamente os projetos de IoT contribuirão para aumentar a produtividade do setor”, enfatiza Teodoro.

Para finalizar o Digital Series, Solange Almeida e Ângela Diaz, respectivamente diretora e gerente de Desenvolvimento de Negócios da ST Engineering Geo-Insight, abordaram o tema “Agronegócio: Aumentando a produtividade e a competitividade com a tecnologia de satélite.

As executivas destacaram como as soluções podem contribuir para realizar a gestão de inventário e irrigação, segurança, fertilização direcionada e classificação de culturas.

“Por meio dos satélites é possível detectar a umidade do solo, monitorar o crescimento das culturas em tempo real e fazer a contagem da plantação. É o que chamamos de agricultura preditiva”, complementam.

Fonte: Cointelegraph Brasil

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