SLC Agrícola avança na sua relação com as startups e prepara investimentos


Logemann deixou a área de relações com investidores para assumir inovação


A SLC Agrícola vai dar mais velocidade na sua relação com as startups, e já vislumbra os ganhos que isso poderá trazer para a operação, que tem a sua matriz em Porto Alegre e 16 unidades de produção localizadas em seis estados brasileiros. Foram cerca de 470 mil hectares plantados no ano-safra 2020/2021.


Em breve, a expectativa é anunciar o montante de recursos que será destinado ao recém-criado SLC Ventures, braço para investimento em startups. “Até hoje nós éramos clientes destas empresas. Agora, com criação deste veículo, passaremos a investir nelas”, comenta o head de Inovação da SLC Agrícola, Frederico Logemann.


Ele saiu recentemente da área de relações com investidores da companhia, onde atuou por dez anos, para assumir a de Inovação. Além da criação desta posição, que não existia, foram contratados dois profissionais recentemente para apoiar esse trabalho: Carlos Eduardo Aranha, líder de ecossistema, e Daniela Lopes, gestora de projetos. Outro passo importante na direção da nova economia foi a chegada na semana passada ao Instituto Caldeira, iniciativa da qual a fabricante é uma das fundadoras e o gestor ocupa a posição de membro do conselho deliberativo.


“Essa decisão vai ao encontro do propósito da companhia de fomentar a inovação na agricultura e participar, de maneira colaborativa, da troca de conhecimento com empresas de outros setores”, relata Logemann. Um dos elementos da inovação, comenta, são os espaços que provoquem e que incentivem a colaboração e o desenvolvimento de novas ideias. “O fato de estarmos juntos de outras companhias, startups e órgãos do governo é altamente positivo”, acrescenta.


A SLC Agrícola conta atualmente com cerca de 30 iniciativas junto à startups, algumas em estágio avançado de desenvolvimento de soluções e outras esperando o momento certo para iniciar o projeto. O executivo começou a se envolver mais diretamente com esse tema da inovação aberta há cerca de três ou quatro anos. Na época, foi identificada a necessidade de criar estruturas para organizar a interação da SLC Agrícola com as startups. “Já estávamos interagindo com essas empresas, mas eram tantas as tecnologias e possibilidades que chegavam para a gente testar que passamos a ter dificuldade para priorizar”, relembra.


O primeiro movimento mais estruturado para resolver isso foi a criação, em 2019, do Agro Exponencial, programa de conexão com startups. A partir disso, a SLC passou a criar desafios e trazer as empresas para interagirem. Todos os anos, a SLC lança de oito a dez desafios, que chegam a receber inscrições de cerca de 200 startups. Depois dos filtros inicias, a fabricante seleciona cerca de cinco para o desenvolvimento das Provas de Conceitos, as chamadas POCs. Esse trabalho de selecionar as empresas tem envolvido a alta gestão da companhia e contra com a parceria da Innoscience.


“Existem alguns problemas clássicos que surgem no dia a dia e que já sabemos quais fornecedores acionar. Porém, cada vez mais, surgem desafios, especialmente para uma operação de muita escala como a nossa, cuja respostas não são encontradas na cadeia tradicional”, observa. Outro projeto importante que está sendo desenvolvido pela SLC é o Centro de Inteligência Agrícola (CIA), responsável pelo monitoramento e controle em tempo real dos indicadores operacionais, táticos e estratégicos. Parte do time responsável por essa operação, inclusive, deve agora ficar dentro do Caldeira.


A SLC Agrícola também está testando e usando uma série de novas tecnologias. Isso inclui estações meteorológicas mais inteligentes para as fazendas com nível de assertividade alto para as medições do clima de 48 a 72 horas e pluviômetros digitais. “Como as nossas fazendas são muito grandes, sempre foi um imenso desafio fazer essa medição do modelo tradicional, indo ponto a ponto para identificar o nível de chuva. Agora, conseguimos ver, da sede da fazenda, os pontos onde choveu e, assim, planejar as ações”, conta o executivo.


A empresa também faz uso de soluções de aplicação localizadas de defensivo, por meio de um hardware plugado na barra do pulverizador. Quando o sistema passa pela lavoura, aplica produto apenas onde enxerga a erva daninha. Antes isso acontecia em 100% do hectare – a redução foi de 80% a 90% no volume de defensivo aplicado.

Apesar de todas essas possibilidades que se apresentam, a verdade é que o Brasil enfrenta desafios complexos quando se tratada da digitalização. “As novas tecnologias são fantásticas, conseguem viabilizar projetos incríveis, mas tem o mundo real que é, por exemplo, o interior da Bahia onde existe limitação até de energia elétrica”, pondera Logemann.


Democratizar o acesso ao 4G e no futuro do 5G no campo é um dos maiores desafios. “Não tem agricultura digital sem conectividade”, admite. A SLC tem feito alguns esforços, em parceria com as operadoras, para conseguir disponibilizar sinal 4G em todas as suas lavouras. A expectativa é concluir esse projeto esse ano. “As grandes empresas do setor estão liderando essas iniciativas para conectar o campo com os produtores menores, pois sozinhos eles não vão conseguir”, admite.


Esse avanço é algo do que o Brasil não poderá prescindir, sob pena de perder competitividade no agronegócio. “Brasil, Estados Unidos e Argentina representam quase 90% da produção de soja no mundo. Quem conseguir produzir com menor custo destes três países vai ganhar mais dinheiro. Se os EUA começarem a adotar mais rapidamente as novas tecnologias, vai produzir mais barato”, alerta.


Fonte: Jornal do Comércio

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