Startup agiliza distribuição de produtos orgânicos

Programa é resultado de parceria entre duas startups e agricultores familiares de orgânicos


A procura por produtos orgânicos, que desde 2014 crescia em média 20% ao ano, disparou em 2020. O aumento de 50% pode ser atribuído à pandemia e às facilidades de distribuição, como entregas por delivery que surgiram no período. A opção por refeições em casa, à base de alimentos mais saudáveis, é uma das alterações que vêm sendo incorporadas às rotinas das famílias.


Em Porto Alegre (RS), semanas antes da pandemia, começou a funcionar a Local Farmers, serviço que conecta agricultores familiares locais, de alimentos orgânicos, com o mercado de restaurantes e consumidores finais. A possibilidade de o cliente fazer pedidos pelo site ou escolher pela assinatura de cestas sortidas, que são entregues periodicamente, agradou em cheio o consumidor e a empresa não para de crescer.


Lançado há um mês, o programa ‘Porto Alegre Mais Orgânica’, iniciativa em conjunto da startup Elysios Agricultura Inteligente e a Local Farmers, começa a disponibilizar tecnologia aos produtores de orgânicos. O Caderno de Campo Digital – Demetra - é uma plataforma digital que facilita o dia a dia no campo. Por meio do aplicativo no smartphone, o agricultor faz, de maneira fácil e prática, o registro das atividades do dia a dia nas lavouras, desde o preparo do solo até o plantio. “Queremos auxiliar o produtor no dia a dia, deixando ele focado no que realmente interessa, que é produzir alimentos com qualidade. A Demetra possibilita que os produtores tenham, literalmente, o controle do campo na palma da mão. E nós, acessando essa tecnologia, teremos previsibilidade de colheita e saberemos quais produtos vão chegar a cada semana e disponibilizar no site. Isso reduz o desperdício de produto. É ganho para o produtor, para a gente e para o nosso cliente”, avalia Rodrigo Kronbauer, sócio cofundador da Local Farmers.


O primeiro agricultor a se integrar ao programa foi Mauricio Rech, da Semeares Vegetais Orgânicos, em Viamão (RS), que já utilizava a plataforma há seis meses, antes mesmo da parceria ser fechada. “Estou gostando bastante porque facilita o acesso às informações, é bem mais prático do que as anotações manuais”, afirma o também engenheiro agrônomo, que fornece rúcula, quatro variedades de alface, três variedades de pimentão e, em breve, pepino japonês para a Local Farmers. Todo o manejo, nos três hectares cultivados, já vem sendo registrado no sistema.


“A Demetra é a ferramenta que vai ajudar a integrar a cadeia do Porto Alegre Mais Orgânica. Com acesso a essa tecnologia, os produtores parceiros passam a ter conhecimento e contam com uma assessoria, que deve resultar em maior e melhor oferta de comida saudável. Tudo isso vai se refletir em segurança para o consumidor, de que o produto é orgânico, feito com as melhores práticas e que vem de um programa com viés social”, explica Frederico Apollo Brito, CEO e um dos fundadores da Elysios, que está há cinco anos no mercado e tem como foco o pequeno e médio agricultor familiar.


Na prática, o programa também vai facilitar rotinas como o contato semanal com os produtores parceiros, para saber a previsão de colheita e o envio dos pedidos. “Para que colham somente os produtos que já foram vendidos, diminuindo o desperdício de alimentos”, projeta Rodrigo. A variedade de produtos inclui frutas, legumes, verduras, massas, carnes, ovos, geleia, mel, grãos, pães, bolos e bebidas de mais de cem agricultores orgânicos do Rio Grande do Sul. “Estamos em busca de mais interessados em trabalhar nesse formato de parceria e ampliar essa rede de distribuição”, complementa.


A integração da gestão, através do Caderno de Campo Digital – Demetra busca revolucionar a forma com que distribuidoras, cooperativas e agroindústrias se conectam aos seus produtores. “Acreditamos que o produtor vai passar mais segurança do seu alimento e de todo o processo de cultivo, agregando valor para a própria produção. Certamente vai abrir novos mercados e agregar valor, também, a toda a cadeia agrícola a que ele pertence”, finaliza Brito.


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