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Startups com soluções sustentáveis são aceleradas por desafio agroflorestal

Atualizado: Mar 16


No desafio, os empreendedores trazem ideias de negócios que já estão minimamente vendendo, para que sejam acelerados. (Foto: André Souza Noronha Nepomuceno/Divulgação)


A ideia do biólogo Victor Augusto Moreira e do administrador André Noronha era construir uma conexão entre agricultores da serra catarinense e litoral do Rio Grande do Sul e os mercados, a fim de criar impacto na cadeia da floresta, através de parceria com agroindústrias locais e gerando ainda mais renda.


O que começou com uma iniciativa sem fins lucrativos se concretizou na Arca Natural, empresa que, em janeiro, lançou no mercado a coleção de sucos da floresta, com cinco sabores de frutas nativas da Mata Atlântica (araçá vermelho, jussara, feijoa, guabiroba e uvaia) produzidos pela rede de produtores e beneficiadores parceiros.


Cerca de 80 produtores localizados na serra catarinense e no RS formam a rede de fornecedores, focados no propósito de regenerar 10 mil hectares de Mata Atlântica até 2030.


“Nosso papel de longo prazo é olhar para a conservação natural como um todo, buscando fomentar uma cadeia produtiva que valorize esses produtos, que envolva a gente e outras empresas”, explica o sócio-fundador da Arca Natural, Victor Augusto.


A possibilidade expandir a empresa surgiu pelo programa de aceleração Desafio Agroflorestal, criado para buscar a expansão desses negócios, com foco na superação de desafios ou inovação nas áreas de logística; novos modelos de negócio; comercialização; processo produtivo; e instrumentos financeiros.

Assim, o Fundo Vale e a Reserva Natural Vale, mantidos pela Vale, desenvolveram juntos um projeto de pesquisa e desenvolvimento para restauração florestal como “prova de conceito” para a Meta Floresta 2030 da Vale, que consiste na recuperação de áreas degradadas em larga escala.


Segundo Juliana Vilhena, responsável por mensuração de impacto e inovação do Fundo Vale, as startups que oferecem soluções inovadoras, sejam de base tecnológica ou de serviços, capazes de incrementar a competitividade das startups agroflorestais são foco da atenção do programa.



Sucos da Floresta da Arca Natural lançados em janeiro (Foto: Gislaine Lilian/Divulgação)


“Os cases selecionados apresentam esta integração de retorno financeiro com impacto socioambiental positivo e atuação direta na recuperação de áreas degradas por meio dos SAFs e foco no produtor rural, com inclusão de agricultores familiares, assistência técnica, acesso à financiamento e à mercados compradores”, salienta Juliana.


Mais de 100 conexões foram realizadas com desenvolvimento de parcerias e potenciais investimentos, reforçando a importância de criação de um pipeline de negócios sustentáveis, escaláveis e que podem contribuir significativamente para a agenda de recuperação de áreas degradas no Brasil.


Soluções

Outra ideia de negócio potencializada foi a Cumbaru, criada pelo biólogo Pedro Nogueira e pelo engenheiro florestal Thiago Nogueira, que trabalharam juntos em uma empresa de pecuária sustentável em Alta Floresta (MT).


Juntos, eles planejaram desenvolver parcerias para viabilizar investimentos em recuperação e renovação de pastos degradados a partir da implantação de um sistema silvipastoril regenerativo com base na pecuária bovina de leite e o cumbaru (ou baru), espécie nativa do bioma cerrado e que produz castanhas com valor comercial.



Integração pecuária e floresta com baru em Poconé (MT) (Foto: Pedro Nogueira/Divulgação)


“Nosso modelo de negócio é voltado para pequenos produtores justamente pelas dificuldades que têm em acessar recursos financeiros e assistência técnica para melhorar eficiência produtiva em áreas consolidadas, reduzindo pressão sobre novas áreas de vegetação nativa”, explica Pedro Nogueira.


No primeiro ano, a expectativa é de trabalhar com 50 a 100 hectares das primeiras áreas de pastagens degradadas, reabilitando as passagens degradadas por meio de sistema silvipastoril para a pecuária de cria (produção de bezerro) com a integração de baru. O planejamento é de fazer 2 mil hectares em cinco anos.


Além da importância ecológica e ambiental por ser nativo do Cerrado, o baru também pode ser usado na alimentação do gado (que come a polpa do fruto) e, por ser uma leguminosa, traz diversos benefícios ao solo.


A Mombora é também uma das startups que se transformou ao longo do desafio, inclusive mudando de nome. O objetivo da empresa é criar uma marca de snacks saudáveis e saborosos, com enfoque em confeitos produzidos a partir de frutas nativas brasileiras provenientes de uma cadeia produtiva agroecológica, justa e sustentável, para pessoas que buscam produtos práticos, sem corantes e aromas artificiais.


A ideia de difundir potencial das frutas nativas brasileiras teve início a partir do doutorado e patente desenvolvida no Laboratório de Frutas e Hortaliças da Unicamp. Para o sócio-fundador Eduardo Roxo, participar do Desafio foi fundamental para testar as hipóteses que norteavam o conceito da Mombora, validar o problema que pretendíamos enfrentar, rever as abordagens e soluções propostas.


“Mudamos bastante nosso entendimento sobre a cadeia de frutas nativas e sobre os gargalos que impedem o aumento de escala. Construímos uma solução B to C que permite superar os gargalos de fornecimento B to B, do produtor para a indústria, o que abre caminho para alcançar escala na oferta e demanda de diversas das frutas nativas”, destaca Roxo.


A empresa recebeu aporte da Grão, fundo de investimento e venture capital, e já realizou três ondas de testes sensoriais com mais de 400 consumidores. “Já montamos nossa estrutura própria de fabricação, solicitamos as licenças necessárias e estaremos prontos para entrar no mercado em março de 2021”, comentou.


Orientações

Pedro Teixeira, sócio e diretor de aceleração da Troposlab, organizadora do desafio ao lado da Vale, orienta os empreendedores que visam ingressar em programas de aceleração para seus negócios a mapear as empresas dos seus setores de atuação para monitorar o lançamento de oportunidades como essa.


“Hoje, os programas de aceleração promovidos por grandes empresas e/ou instituições são a maioria no mercado. Seguir aceleradoras é uma maneira de ajudar nesse monitoramento. Uma vez descoberto o programa ideal para você, entenda profundamente qual o problema que a empresa quer resolver com o programa e adeque o seu discurso a isso”, sugere.


Segundo ele, em geral, os programas corporativos gostam de negócios que já estão minimamente vendendo. “Portanto, valorize os seus números, sejam eles de vendas ou no mínimo de testes realizados em clientes”, completa.


Outro aspecto importante destacado pela responsável do Fundo Vale é o potencial de escala, ainda que as startups apresentem diferentes graus de maturidade.


“Consideramos que as startups que melhor se posicionam para a implementação de SAF em escala, com alto impacto socioambiental e viabilidade econômica, são as mais favoráveis para uma parceria de negócios e investimento no portfólio de negócios”, diz Juliana Vilhena.



Fonte: Globo Rural

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